quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Bolsa família

A Bolsa Família é um dos "benefícios" que o atual governo do Brasil mais defende como sendo favorável ao povo de condição mais humilde. Mas em minhas andanças por este país, deparei-me com uma realidade, digamos, longe do esperado e propagado pelo governo.

Vi um povo viciado por tal "benefício". Vi um povo acomodado com esta "ajuda" governamental. Um povo que entre uma bolsa e o estudo ou até mesmo ao trabalho que poderia, inclusive, gerar uma renda superior ao já alcançado, não hesita em optar pelo ócio, pelo "deixa como tá", mesmo que isto resulte numa vida mais ou menos. Pergunte para uma pessoa que recebe o Bolsa Família se ele quer trabalhar e perder o presente escravizador do governo? A resposta será, em sua maioria, uma negativa. Chego a fácil conclusão de que a mordomia gerada pelo Bolsa Família é mais maléfico do que benéfico ao povo. É melhor não fazer nada e ter pouco do que arregaçar as mangas e fazer a sua parte por merecer algo melhor.

Por muito tempo me questionei sobre a pergunta de Jesus ao se deparar com Bartimeu, um cego que mendigava nas calçadas da cidade, que sobrevivia da ajuda dos que passavam por ele, que se acostumou com o pouco e que clama em alta voz: "Jesus, filho de Davi, tem misericórdia de mim!" (Marcos 10: 46-52)

A minha surpresa é que a resposta de Jesus foi: "O que queres que te faça?"

Se eu estivesse ali naquele momento eu diria: "Jesus, ele é um cego e mendigo! Ele quer ser curado! É óbvio!"

Mas nas entrelinhas surge uma reflexão na pergunta de Jesus: "Bartimeu, o que queres que eu te faça? Tem certeza que queres ser curado? Já parou para pensar que se você for curado não mais irá viver como mendigo? Que não mais receberá ajuda dos que o viam como um pobre coitado? Já parou para pensar que quando você voltar a enxergar, terá que correr atrás do seu sustento? Já pensou nisto? E, então, o que queres que eu te faça?"

Bartimeu tomou uma atitude libertadora que ia muito além do "que eu tenha vista". Optou por ir a luta! Optou abandonar o benefício doado e, curado, voltou à ativa!

Me pergunto: quantos cristãos estão acomodados com o "Bolsa Família Celestial"? Sentados dominicalmente em suas igrejas ouvindo uma bela mensagem, ouvindo suas músicas costumeiras, sendo servido religiosamente. Será que criamos seres dependentes de um leitinho espiritual?

No livro de Hebreus encontramos o seguinte: "embora a esta altura já devessem ser mestres, vocês precisam de alguém que lhes ensine novamente os princípios elementares da palavra de Deus. Estão precisando de leite, e não de alimento sólido! Quem se alimenta de leite ainda é criança, e não tem experiência no ensino da justiça. Portanto, deixemos os ensinos elementares a respeito de Cristo e avancemos para a maturidade." (Hebreus 5:12-13 / 6:1)

Fazendo uma auto-análise, você se considera ser um refém do "Bolsa Família Celestial"? E, então, se Jesus te perguntar agora "o que queres que eu te faça?" O que você responderá?