sábado, 23 de março de 2013

O que fazemos com nossos incômodos?

Uns dias atrás, eu e minha esposa estávamos em casa e já era tarde da noite quando ela começou a sentir dores intestinais, até então era uma dor "suportável". Mas o tempo ia passando e a dor aumentando. Até que, pouco mais de 1h da madrugada, a dor começou a ficar muito intensa e passou à incomoda-la muito. Foi aí que saímos de casa e fomos para o hospital. Se não fôssemos, ela ficaria horas e mais horas sentindo dores em casa.

O relógio já marcava 2h quando chegamos no hospital. Lá, ela tomou remédios, soro, realizou alguns exames e, aproximadamente, 5h nós estávamos voltando para casa. Ainda sentia algumas dores. Compramos alguns remédios e alguns complementos alimentares que ela toma até hoje, não porque gosta, mas porque tem que tomar. Tudo isso para que a dor, que tanto a incomodava, não retorne.

Queria fazer um paralelo com uma situação que Jesus passou e que está escrito em Mateus 20:34

"Então Jesus, movido de íntima compaixão, tocou-lhes nos olhos, e logo viram;"

Em ambos os casos, havia algo que incomodava. No caso da Clariana, a dor intestinal. No caso de Jesus, a cegueira destas duas pessoas. Nas duas situações, houve uma reação frente a isso. Eu e minha esposa fomos para o hospital, compramos os remédios e ela ainda toma. Já Jesus, parou sua caminhada para, movido de íntima compaixão, atender ao pedido daqueles cegos.

Confesso que eu fico impressionado com a quantidade de pessoas incomodadas com várias coisas! O Facebook tá lotado dessas demonstrações públicas de "chega", "vamos dar um basta nisso" e assim por diante! Temos o grupo das pessoas incomodadas com a pobreza e a fome, o grupo das pessoas incomodadas com a injustiça no Brasil, com a desigualdade, sem falar nos que são incomodados com a situação das igrejas evangélicas e seus líderes. Assumo que tenho um pouco ou muito, em alguns casos, de cada um desses incômodos. Mas a pergunta que não quer calar é:

- E o que é que tem sido feito além de ficarmos incomodados?

Até quando vamos ficar em casa sentindo dores e não vamos agir e fazer algo para melhorar essa situação que dizemos que tanto nos incomoda? O que adianta lotarmos o Facebook e falarmos com todos os que nos cercam que algo precisa ser feito e nada fazemos? Eu estou incomodado com esse tipo de incômodo inoperante!

Você tá incomodado com a fome? Tem certeza? Então qual foi a última vez que você deu um pão pra uma pessoa faminta na rua? Muitos nem sabem o preço da cesta básica!! Você tá incomodado com a pobreza? Quando foi a última vez que você foi numa favela fazer alguma coisa pra mudar esse cenário? Tá incomodado com a crise nas igrejas? Sério??? Você tem orado pelos pastores? Você tem feito o quê? Criticado apenas? Fala sériooo!!!

Não basta estar incomodado, é preciso agir! Senão esse incômodo nunca vai passar!

Pra finalizar, queria deixar um versículo muito conhecido que está em Tiago 2:20

"Queres saber, ó homem insensato, que a fé sem as obras é inútil?"

Em outras palavras: "queres saber, ó homem insensato, que ter fé, estar incomodado com algo e não fazer nada, está anulando a sua fé?"

Pense nisso!

Abraços!

quarta-feira, 6 de março de 2013

Experiência do futebol no presídio

Lembro quando fui com os homens da IBVA, lá na Bahia, jogar bola com os presos no presídio de Lauro de Freitas. A gente tava em, mais ou menos, 50 pessoas. E passamos um dia inteiro, não só jogando bola, como cantando, se divertindo com os palhaços que também estavam lá ou, simplesmente, conversando assunto aleatórios com eles. Alguns falavam dos crimes que cometeram e que fizeram eles estarem lá, do tempo que ainda faltava para cumprirem suas penas. Nossa postura, em momento algum, era de incriminá-los, apesar de refletir com eles de que o que fizeram era errado. 0% de acusação!

Mas isso pode até mesmo soar estranho para a sociedade em geral. Por que tratar bem pessoas que cometeram crimes, como assassinato, por exemplo? Poderia citar inúmeras bases bíblicas aqui, mas prefiro ficar com Provérbios 15:1

"A resposta calma desvia a fúria, mas a palavra ríspida desperta a ira."

O "correto", pra sociedade, seria irmos lá e "descer o madeira" nos caras, jogar na cara deles que eles são culpados, que são criminosos, que devem pagar pelo que fizeram e assim por diante… Nada disso é, legalmente, errado. São realmente culpados, são classificados como criminosos pela lei e precisam pagar pelo que fizeram. Fato! Mas se fizéssemos isso, estaríamos nada mais nada menos do que despertando ainda mais a ira deles e não desviaríamos a fúria, comprometendo o processo de recuperação do indivíduo, que é o foco do Cristianismo.

Me entristece ao ver pessoas, dentro das igrejas, que lidam com os que cometem algum pecado ou fazem algo fora da doutrina humana-religiosa de forma tão ríspida que deixa, até mesmo, os que apenas observam a cena "sem graça", tamanho o peso das palavras e a forma que são ditas.

Reflito algumas questões:

- Será que não poderíamos fazer, nas igrejas, o mesmo que é feito por muitos cristãos, ao redor do mundo, dentro dos presídios? Tratar com amor os que erram!
- Essas atitudes condizem com a postura de Jesus, quando Ele mesmo diz que o "jugo dEle é suave e o fardo é leve" (Mateus 11:30)?

Sou total defensor de que devemos arcar com as consequências dos nossos erros, mas muitas vezes jogam em nossos ombros cargas maiores do que nossos próprios erros e observamos que a forma como tratamos as pessoas nos presídios, geralmente, é bem mais calma do que em nosso ciclo religioso. Isso afasta muito mais do que aproxima!

Repreender não significa bater severamente, mesmo que com palavras.

Abraços!